serve para mergulhar

livro das mutações.

uma fresta

A individualidade é fascinante. É mistério. Despegar-se de uma massa viva, tornar-se um, abandonar-se ao mundo. Criar simetria. Duas metades se entrelaçam em direção ao infinito.

Eu sou um ponto preto dentro de uma caixa, numa urbe cheia de pacotes que encobrem vazios existenciais de milhões de pessoas, num planeta muito pequeno. Um planeta enorme.

O Brasil, esse “país continental”, é nada. Eu sou nada. Mas minha íris, minha impressão digital são únicas. Sou zero e um ao mesmo tempo.

O que é a consciência?

O que é ser humano? Esquecemos de nossa insignificância, caçamos baleias e derrubamos árvores para jogar morte para fora. Perdemos o respeito pela morte. A neurose evita a todo momento tecer redes de significados sobre a inominável. Até seu nome foi sinônimo de mau agouro. Mas cabe lembrar, como disse Jung, nós nunca de fato saímos da Idade Média. Nós perseguimos sombras, meu amigo leitor.

Quem sou eu quando durmo?

Um dia sonhei que eu era os outros. Eu (também) os era. Várias experiências parecem indicar que o inconsciente sabe mais a meu respeito do que o eu cotidiano. Ego tem cotas para tudo, cheio de pruridos, proibições e polícia. Quero ser mais livre que isso, quero ficar em silêncio. Quero não ter medo da porta quando ela abrir. Entra por mim, ela disse, muda.

A linguagem é um aparato, mas também é cachaça. O que acontece se eu tentar tirar férias da linguagem por uns minutos? Por que a meditação é supostamente tão difícil para nós? Talvez porque, assim como o orgasmo, o silêncio seja uma pequena morte. Talvez porque ele seja uma porta, e ser humano detesta portas.

Sei que não sei quem sou. Acho que é um bom começo.

um sim

Eu vou torcer pela paz. Mais Eros, menos Tanathos, por favor. A vida é um imenso sim. Fonte de pensamentos sublimes e delicados como um algodão doce. Eis-me, inteira. Uma pureza que não é ingenuidade.

trânsito

Sección Áurea migrando de interésses. Revisões, rescisões. Por enquanto, silêncio. E sempre a pergunta: quod hoc ad aeternitatem?